Setas & Sentenças

Alguns livros de Nietzsche vêm com um capítulo chamado “Setas e Sentenças”, onde ele colocava frases curtas – como aquelas da sabedoria popular -, mas geralmente com sentidos paradoxais, ou ‘não tão populares’ assim.

Por isso as sentenças eram também setas, flechas, flechadas no senso comum. Certeiras.

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Isso não quer dizer que atingiam o alvo. Com a idade, percebemos que as pessoas realmente só ouvem o que querem ouvir. Só vêem aquilo que podem ver. Há uma relação entre as verdades que suportamos e nossa estrutura emocional.

Por isso, no fundo, falamos para ninguém. Ou melhor, falamos porque precisamos falar. Não faz sentido esperar ser compreendido. A incompreensão é nossa única verdadeira companheira.

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No entanto, vamos vivendo. E o tempo nos dá experiência. É um desperdício calar o que aprendemos – tanto quanto é um desperdício falar. Mas ao falar ainda temos ao menos uma chance – de que o leitor se enrede em nossas palavras, e tropece. Pode então ao menos sentir o chão.

Palavras, as vezes, são como raios numa noite escura. Sua luz logo desaparece, mas ela dá ao viajante ao menos uma noção de onde está pisando.

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1) Fechamos os olhos com nossa pele, e os ouvidos … com nossa ignorância.

2) O que falta ao jovem de sabedoria é compensado por sua força.

3) A beleza é sedução. Tem seu valor, mas não deve ser tudo.

4) O que você espera do outro é o que falta em você.

5) Amar é correr riscos.

6) Nada custa tanto quanto nosso afeto.

7) O amor é como uma ponte entre um e outro. Cuidado pra não cair do outro lado!

8) Há uma chance grande de que algo falte em nós, quando essa falta no outro nos escandaliza.

9) O mundo é um espelho

10) A força, a beleza, a inteligência, o grupo, a vaidade, o dinheiro – são nossos Titãs.

11) A mente se presta a pelo menos duas funções: uma, esclarecedora, outra, obscurecedora. Ambas tem forças semelhantes.

12) Coloque em tudo a variável “humano”. Você verá que até a verdade tem um sentido –

13) Acreditar em palavras é um erro comum.

14) Não te exponhas; não vives entre anjos.

15) Pelo mesmo motivo, a sabedoria se reconhece pelo que cala.

16) Saber o que você faz de melhor – deve ser um privilégio, guardado para poucos.

17) Mostra sempre menos do que tens; fala sempre menos do que sabes.

18) A deferência com que tratas a ti mesmo repelirá muita gente. Mas atrairá os afins.

19) A cultura é para poucos.

20) Por isso mesmo, desconfia do sucesso.

21) Não é preciso amar teu trabalho, mas não deverias odiá-lo.

22) Trabalhar é um mau necessário. Em vista do ser humano médio, o trabalho é uma das maiores conquistas da cultura.

23) Se não tens apreço pelas condições de tua existência, há uma grande chande de que algo ande errado.

24) Tudo que te alimenta vem da morte de outro ser. Honra-o.

25) É injusto com a injustiça pretender não sê-lo.

26) Retira a tua especificidade do teu olhar, e o que sobra é… nada.

27) A mulher e o homem amam – e são – de maneiras diferentes.

28) A compreensão que esperas do outro deve ser contrabalanceada pela compreensão que tens do outro.

29) Andar a passos lentos na direção certa será sempre mais rápido que correr na direção contrária.

30) Perceber o sentimento é um primeiro passo. Depois, é preciso compreendê-lo, o que é muito mais difícil.

31) O sentimento erra menos do que o pensamento.

32) Nosso sentimento se estrutura em função daquilo que acreditamos. Logo, ele é sempre verdadeiro em termos de nossas crenças.

33) Nossas crenças são sintomas de nossa vida.

34) Mudar uma crença é mudar o ser. Por isso nos apegamos tanto à ignorância.

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