Esse cara – Cazuza

Demorei para realmente gostar de Cazuza. Curtia alguma musica, simpatizava, mas gostar, gostar mesmo, acho que só começou quando parei para escutar “Esse cara”.

Adoro o jeito como ele canta, quase como um suspiro, uma nostalgia apaixonada, que até vê o bandido no olhar do outro, percebe o quanto ele lhe tira, por força da paixão, mas encara, segue em frente, como se não houvesse outra saída.

(E as vezes não há mesmo).

É bonito ver como os mais jovens se entregam na paixão; as crianças também. São passionais; sofrem mais, mas também amam, com mais intensidade. Depois, crescendo, vamos ficando ressabiados, defendidos… auto-preservativos. Ou nos cindimos: metade da alma fica apaixonada, e a outra metade permanece séria, cuida da primeira, não arreda o pé da realidade.

A arte é uma forma de se entregar tambem, quase por inteiro, como na infância. Mais ou menos como diz Fernando Pessoa:

“O poeta é um fingidor
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente”

Acho que o artista em geral, “finge”, na arte, a dor – transita pela dor, melhor dizendo -, mas também outros sentimentos, como se o artefato que ele produz fosse outro peito, outro coração, batendo um pouco mais longe, um pouco mais seguro.

Dois corações para bater até que é uma boa ideia…

***

Abaixo minha versão dessa música:

https://drive.google.com/file/d/16GWyQoa11xRQA-sxqbFSIqFnL-mHSxh8/view?usp=sharing

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