Fim de ano, e pitacos sobre o tempo

horizonte2

 

Dezembro de 2018. Começo a sentir que o ano se aproxima do fim. Sabe aquela sensação estranha,  mistura de ansiedade com tristeza, uma alegria que é parte real, parte defensiva … uma “nostalgia do futuro”, a percepção, tardia, de que um ano inteiro se passou – o que nos faz pensar no que realizamos e também não realizamos… – e que, talvez, o tempo seja uma realidade… “Talvez”, sempre “talvez”.

 

(Freud dizia que para o inconsciente não existe o tempo. Ao lembrar disso, meu pensamento vagueia para a noção de “onipotência” em Winnicott… para a noção de “duração”, em Bergson… O que posso dizer por mim é que nossa noção atual de “tempo” só existe a partir de um uso específico da memória. Aquilo que nos aparece, hoje, como “passado”, é um ‘passado’ específico para o nosso ‘hoje’… ou seja, no fundo estamos sempre trabalhando com um presente, com aquilo que é importante para nós, hoje – mesmo que isso seja remetido ao que já passou. Esse tempo, em suma, é subetivo).

 

***

 

Guardo comigo, para um tempo sempre adiado, um punhado de rascunhos, de notas, para trabalhos futuros. Coisas de 2007, quando ainda estava na faculdade… Hoje, lá se vão onze anos, finalmente dei destino pra eles: a lata de lixo.

 

Não porque sejam coisas totalmente ruins ou inúteis: mas já não são coisas minhas; não me interessam mais. Passado tanto tempo, minha cabeça mudou, meus interesses mudaram, minha percepção da vida, das coisas, é outra… devia ter publicado aquilo, num artigo, num blogue.

 

Se fosse me dedicar a revisar tudo, a separar o que vale e o que não vale à pena, eu estaria trocando o meu tempo presente para tentar reviver um tempo passado… e “tempo” é um bem precioso, que não devemos desperdiçar assim. O que passou, passou.

 

***

 

2007…2018… 11 anos depois. Algumas coisas se corporificaram, e já não precisam mais ser memória. Eu estudava psicologia; hoje eu sou psicólogo. Eu teorizava sobre a clínica; hoje eu atendo.

 

Da mesma forma, eu idolatrava a esquizoanálise – era uma paixão a priori, inquestionável e com poucos vínculos com a prática… só eu que não via…, hoje a vejo um pouco distante. E a psicanálise, minha outra ‘inquestionável’ – só que era uma recusa… – hoje me ajuda a caminhar nessa estrada dura, onde tentamos ajudar quem sofre. Humildemente.

 

***

 

Enfim, mais um ano se foi. Fico feliz de poder olhar pra trás e ver que coisas importantes foram feitas. Mas, se querem saber, hoje, agora mesmo, nesse instante, o que me faz mais feliz é poder jogar fora essa pilha de anotações! Me sinto revigorado! Livros, móveis, notas, muita coisa foi fora (ou doada). Afinal: que as coisas sigam seu caminho. Eu quero seguir o meu –

 

 

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